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domingo, 12 de agosto de 2012

O chefe que nada sabia

O chefe que nada sabia
Ou: O maior patrocinador do mensalão
   

Vamos partitr da seguinte hipótese:
Você é presidente de uma grande empresa. Nomeia um diretor geral para uma grande filial de um país. Ali ocorrem inúmeros escândalos de desvios, roubos, corrupção etc. O diretor geral que você contratou alega nada saber. Fim da estória?
É obvio que não!!!
Se nada sabia é incompetente e deve perder o cargo imediatamente (impeachment), além de ser rigorosamente investigado (principal suspeito)!
É assim que vejo o Brasil hoje e sei que todos brasileiros de bem concordam comigo.
Não há necessidade de protestos e falácias. É uma questão ética e assim deve ser tratada.
Lula mostrou-se extremamente incapaz ou corrupto. Ainda aposto na segunda hipótese, baseando-me na incoerência que sempre margeia os marginais que tornam a política em politicália.


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Justiça

Advogado de Jefferson pedirá inclusão de Lula como réu do mensalão

Luiz Francisco Barbosa afirma que o ex-presidente tinha domínio da situação; requerimento será apresentado na segunda-feira

Gabriel Castro e Rodrigo Rangel
O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, tem alta do hospital Samaritano no bairro de Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro na manhã deste domingo (05/08/2012)
O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson (Fabio Teixeira/Futurapress)
"O procurador-geral da República sugeriu que o presidente, que tem até título de doutor honoris causa, fosse um pateta. Mas ele tinha domínio de tudo"
O advogado do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), Luiz Francisco Barbosa, pedirá ao Supremo Tribunal Federal (STF) a inclusão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como réu no processo do mensalão. O requerimento será apresentado na sessão de segunda-feira, data da defesa do petebista em plenário. Ele pedirá a suspensão do julgamento para a realização de novas diligências que investiguem Lula ou, como alternativa, o destacamento de um novo processo, em que o petista seria acusado separadamente.
"O procurador-geral da República sugeriu que o presidente, que tem até título de doutor honoris causa, fosse um pateta. Mas ele tinha domínio de tudo", disse o representante de Jefferson ao site de VEJA.
Há poucas chances de o pedido prosperar, mas a solicitação de Barbosa pode retomar a discussão sobre a responsabilidade de Lula em um momento em que os holofotes estão voltados para o Supremo Tribunal Federal.

O advogado de Jefferson alegará que os três ex-ministros citados no processo, Anderson Adauto, Luiz Gushiken e José Dirceu, não tinham poder para enviar ao Congresso projetos de lei - segundo a denúncia do Ministério Público, o governo comprou o apoio de parlamentares para facilitar a aprovação de propostas no Congresso. Por isso, Lula era o maior interessado no funcionamento do esquema. E, mesmo depois de ter sido avisado por Roberto Jefferson sobre a existência do mensalão, o então presidente não teria tomado providência.
Barbosa cita ainda outro episódio que envolveria o petista: Lula assinou a lei que alterava as regras para a operação de crédito consignado a aposentados: o BMG, até então fora do mercado, passou a participar do negócio. O governo ainda deu um auxílio extra ao enviar cartas a mais de 10 milhões de aposentados, convidando-os a emprestar dinheiro. "Em um ano, o BMG fez cinco vezes mais negócios do que a Caixa, que tinha um número de agências muito maior", alega o advogado. Só depois, afirma o defensor de Roberto Jefferson, é que a instituição bancária passou a abastecer o esquema do valerioduto, onde despejou cerca de 30 milhões de reais. Com o ato de ofício de Lula - a lei que favoreceu o BMG - ficaria reforçada a participação do petista no episódio.
Em ocasiões anteriores, Luiz Francisco Barbosa questionou o Supremo Tribunal Federal a respeito da ausência de Lula no processo. Em todas as vezes, a Corte se recusou a discutir o caso. Esta será a primeira vez em que a inclusão do petista como réu será solicitada diretamente. "O presidente terá de submeter o tema ao plenário", diz o advogado.

Para imprensa internacional, mensalão ameaça legado de Lula

Reportagens publicadas nas últimas semanas por jornais da Argentina, Espanha, França e Inglaterra destacam a “cultura da corrupção” no Brasil

Matéria do jornal francês Le Monde sobre o mensalão
Matéria do jornal francês Le Monde sobre o mensalão (Reprodução)
“Quem seguramente não perderá nenhum episódio será Lula, fundador do PT, que, em que pese não ser réu, tem muito em jogo”
Além de dominar as manchetes dos principais jornais do Brasil, o julgamento do mensalão entrou na pauta da imprensa internacional. Nas últimas duas semanas, jornais de todo o mundo destacaram em suas páginas o “julgamento do século” do Brasil. Os periódicos estrangeiros aproveitaram o episódio para falar sobre a cultura da corrupção no país e alertaram: o julgamento será uma oportunidade para mudar esse mau hábito dos políticos brasileiros.
A imprensa internacional analisa ainda que o julgamento põe em xeque o legado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pode comprometer os planos do petista de voltar ao poder. O francês Le Monde apresenta o mensalão como “o escândalo que quase custou a reeleição de Lula em 2006”. Jornais americanos e europeus concordam, no entanto, que o mensalão não deve comprometer a imagem da presidente Dilma Rousseff, mesmo sendo ela do PT. Na avaliação dos estrangeiros, Dilma conseguiu mostrar compromisso com a transparência e o combate à corrupção, ao demitir sete ministros envolvidos em escândalos. 
“A sucessora de Lula conseguiu um bônus de credibilidade entre os brasileiros depois de destituir sem hesitação um punhado de membros de seu gabinete acusados de corrupção”, afirma editorial do espanhol El País, em 6 de agosto. “Parece improvável que Dilma seja diretamente afetada pelo julgamento, pois demitiu ministros envolvidos em escândalos”, diz reportagem publicada em 2 de agosto no The Guardian, da Inglaterra. 
“Dilma teve uma atitude bem diferente da de Lula diante de acusações de corrupção que surgiram durante seu governo desde que assumiu o poder”, lembra o La Nacion, da Argentina. “Diante de denúncias da imprensa contra seus funcionários, a presidente pediu explicações imediatamente e, não as considerando adequadas, exigiu a renúncia dos suspeitos.” 
Os jornais destacam as falas contraditórias do ex-presidente Lula a respeito do mensalão: ele primeiro pediu desculpas pelo erro e agora nega a existência do esquema. Na análise do La Nacion, o julgamento será um "teste de Teflón" de Lula – lembrando a tese segundo a qual nenhuma má notícia "cola" no petista. “Em 2005, as acusações não aderiram a Lula pois ele argumentou ter se sentido traído por seus companheiros de partido. Ele superou a crise com um pedido de desculpas pelos "erros" do governo e do PT”, afirma o jornal da Argentina. “Nos últimos anos, no entanto, depois de conseguir eleger Dilma, Lula desqualificou as acusações do mensalão e passou a tratá-las como uma invenção da imprensa.”
O La Nacion chega a ironizar a preocupação de Lula com o julgamento. “O escândalo pode até mesmo ofuscar o truculento enredo da telenovela mais popular do momento, Avenida Brasil”, diz o jornal, em artigo de 2 de agosto, dia do início do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). “Quem seguramente não perderá nenhum episódio será Lula, fundador do PT, que, em que pese não ser réu, tem muito em jogo.” 
O francês Le Monde afirma que a esquerda brasileira parece ter aprendido pouco com o mensalão. “A esquerda parece não ter aprendido nada substantivo. A questão, além de financiamento de campanha, era o tipo de aliança formada pelo PT”, diz o jornal em artigo de 1º de agosto. “Para formar maioria no Congresso e um governo estável, os dois presidentes do PT ligaram seus destinos a partidos sem identidade e sem programa.”
Cultura de corrupção - O Le Monde aproveitou o início do julgamento e publicou no dia 3 de agosto um retrospecto mostrando como casos de corrupção estão intrincados na história política do Brasil. Entre os personagens rememorados pelo jornal francês estão o ex-governador paulista Adhemar de Barros e seu bordão "rouba, mas faz"; o ex-presidente Fernando Collor, que sofreu impeachment e hoje é senador e aliado de primeira hora do PT; o presidente do Senado, José Sarney; e o ex-governador Paulo Maluf. “Casos como o do ex-presidente Collor mostram como a luta contra a impunidade está longe de ser vencida. Daí a importância do veredicto de Brasília”, conclui o jornal francês.
O britânico The Guardian diz que “corrupção e assassinatos não são novidade no Brasil”, mas que, com um caso tão grave sendo levado a julgamento, acende-se uma esperança de que algo mude. O jornal dedica boa parte da reportagem sobre mensalão, publicada em 2 de agosto, para relembrar dois casos recentes de violência contra quem tenta fazer justiça no Brasil. Eles narram o caso do assassinato em julho do investigador da Polícia Federal que atuou na investigação de Carlinhos Cachoeira e das ameaças recebidas pelo juiz que trabalhava no caso. 
O editorial do El País afirma que os brasileiros são tolerantes com a corrupção. “Eles dizem em pesquisas não tolerar a corrupção entre os políticos, mas logo votam neles sem problemas. Lula mesmo foi reeleito no ano seguinte da explosão do escândalo do mensalão”, diz o jornal espanhol. “Uma sentença exemplar, além de macular o legado de Lula, contribuiria para enfraquecer a arraigada cultura da corrupção e da impunidade dos poderosos no Brasil.”

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Mensalão - Quem vencerá? O bando liderado pelo PT ou o Mutirão que quer julgamento rápido?

24/02/2012
Veja - Política & Cia

Conheça o mutirão que o Supremo faz para julgar o escândalo do mensalão ainda neste semestre

ricardo-lewandowski
O ministro Lewandowski falou em empurrar o julgamento do mensalão para 2013, mas seus colegas se movimentam para julgar o escândalo já neste semestre
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STF - Um esforço supremo
Ministros da Suprema Corte fazem mutirão para tentar impedir que Ricardo Lewandowski empurre o julgamento do mensalão para 2013 e facilite a vida dos 36 réus

Convertidas em um arquivo de computador com 40 gigabytes, as 50 000 páginas do processo do mensalão estão sendo consultadas em ritmos diversos pelos ministros do Supremo Tribunal Federal.
Prestes a julgar o maior escândalo de corrupção da história do Brasil, uma parcela dos onze integrantes da corte trabalhou, mesmo durante o recesso judiciário, para perscrutar cada acusação contra o grupo que, no governo Lula, usou dinheiro público para financiar campanhas eleitorais de aliados e comprar apoio político no Congresso.
O trabalho extra tem uma razão: os ministros que desejam ver o caso julgado estão correndo para espantar a malfadada previsão do colega Ricardo Lewan­dowski, para quem o julgamento só seria viável em 2013. Como ministro-revisor da ação, Lewandowski é responsável por analisar se todos os ritos pro­ces­suais foram seguidos à risca e, para isso, tem o tempo que quiser – o processo só pode ser julgado quando ele disser que concluiu seu trabalho.
É possível, sim, julgar o mensalão ainda no primeiro semestre
Quando Lewandowski declarou, em dezembro, que pretendia gastar um ano lendo os autos e que, para a alegria dos quadrilheiros, muitos dos crimes  poderiam prescrever, acenderam-se os sinais de alerta.
Como resposta, veio a ação. Uma parte dos ministros, entre eles o próprio presidente do Supremo, Cezar Peluso, resolveu reagir à previsão mostrando que é possível, sim, julgar o mensalão ainda no primeiro semestre deste ano, conforme estava planejado.
A iniciativa deixa Lewandowski, no mínimo, apurado. Afinal, se seus pares podem analisar tudo em três meses, por que ele precisaria de um ano?
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Ministro relator Joaquim Barbosa: distribuiu um alentado relatório do processo aos colegas e agora prepara seu voto, que deve ter mais de 1 000 páginas
Marco Aurélio e Ayres Britto já estão prontos para julgar
No bloco dos que defendem agilidade no julgamento, há até quem se sinta preparado para votar imediatamente, como o ministro Marco Aurélio Mello. “Já analisei o relatório final de Joaquim Barbosa (uma espécie de resumo do processo) e me sentiria habilitado caso o julgamento fosse hoje”, diz ele.
Em alguns gabinetes, há mutirões para estudar o caso. O ministro Carlos Ayres Britto pôs todo o seu staff especializado na área penal para trabalhar no processo. Desde o período das férias forenses, assessores do ministro dedicam todas as manhãs à análise dos 233 volumes da ação. “Estamos empenhados para podermos votar a qualquer momento. Não podemos ser pegos de surpresa”, diz Ayres Britto.
O ministro Joaquim já está redigindo seu voto
Cezar Peluso começou em meados de janeiro a analisar o processo. Joaquim Barbosa já está redigindo seu voto. No gabinete do ministro Gilmar Mendes, a força-tarefa teve início no ano passado. Ele destacou três assessores para a missão de selecionar os principais testemunhos, diligências e teses – um importante  passo para a preparação do voto.
Nesta etapa do trabalho, os ministros também tentam se antecipar a questionamentos que podem surgir antes ou durante o julgamento. “Esse trabalho é importante e até já deveria ter sido feito antes. Se não for célere, o Supremo corre risco de ser visto como subserviente ao governo do PT, uma vez que a maioria dos ministros foi nomeada pelo partido”, diz o jurista Luiz Flávio Gomes.
José Dirceu, chefe dos mensaleiros: a vontade da quadrilha esbarra na força-tarefa dos ministros que querem decidir o caso ainda este ano, sem falta
José Dirceu, chefe dos mensaleiros: a vontade da quadrilha esbarra na força-tarefa dos ministros que querem decidir o caso ainda este ano, sem falta
Arrepios nos mensaleiros
O esforço da corte é motivo de sobra para causar arrepio nos mensaleiros. Eles contavam com a morosidade para se livrar das penas – uma expectativa, por sinal, bem afinada com as projeções de Lewandowski.
Se julgado logo o processo, a possibilidade de prescrição dos crimes perpetrados pela quadrilha do ex-ministro José Dirceu só existe se as condenações forem mínimas. Quem for condenado a mais de dois anos não escapará da cadeia.
Além de favorecer a prescrição, empurrar a decisão para 2013 também ajudaria os réus porque Peluso e Ayres Britto, cujos votos são dados como certos a favor da condenação, se aposentam no fim deste ano.
Lewandowski, portanto, está mais do que alertado – pelos próprios colegas – de que seu cronograma só interessa aos réus.

A caminho do veredicto

As etapas a ser cumpridas até a decisão do Supremo que vai selar o destino dos réus do mensalão, naquele que será o maior julgamento da história do tribunal

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Plenário da Suprema Corte: palco do maior julgamento da história do tribunal
1. Joaquim Barbosa apresenta o relatório sobre o processo, contendo os principais pontos da acusação, da defesa dos réus e dos depoimentos colhidos – ETAPA CUMPRIDA
2. Ricardo Lewandowski, o revisor, analisa se todos os ritos processuais foram realizados corretamente e atesta se o processo está pronto para ir a julgamento
3. O presidente do Supremo, Cezar Peluso, põe o processo em pauta – Pelas previsões mais otimistas dos ministros, o julgamento começa em maio
4. Iniciado o julgamento, o procurador-geral da República tem uma hora para apresentar a acusação e, em seguida, os advogados de cada réu também têm, cada um, uma hora para a defesa. – Estima-se que o julgamento possa durar 2 meses
5. O relator, Joaquim Barbosa, apresenta seu voto. Em seguida, é a vez do revisor, Ricardo Lewandowski
6. Os demais ministros votam – da mais nova na corte, Rosa Weber [chegou ao Supremo em dezembro passado], ao mais antigo, Celso de Mello [no Supremo desde 1989]. O resultado deve ser proclamado pelo presidente do tribunal imediatamente após o último voto, e os resultados possíveis são:
- condenação de todos os réus às penas pedidas pela procuradoria
- condenação de uns e absolvição de outros
- condenação de alguns réus, mas sem aplicação de pena, por prescrição
(Reportagem de Gustavo Ribeiro, publicada na edição impressa de VEJA)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Arnaldo Jabor dá a receita contra a corrupção

Arnaldo Jabor dá a receita contra a corrupção.
Um vídeo que precisa ser compartilhado em toda rede.
Como combater o bando e promover o medo dos corruptos para amenizar o absurdo da corrupção generalizada. A herança maldita de Lula.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Um livro conta a podridão implantada por Lula

Os podres poderes do chefe Lula vindo a tona
Se tudo está tão evidente, se tudo está tão visível, onde está a reação?
Será que chegou a hora em que o discurso do grande Rui Barbosa se torna a triste realidade de um País que sempre causou orgulho?
Um País onde o povo colocava a mão no peito para cantar seu hino e se emocionava com isso.
Agora, o virus da impunidade degenera a moral e o câncer não é estirpado. Um câncer comunistóide socialista trazido por um partido que começou renegando nossas cores e nossa história de liberdade.
Ou o Brasil reage em massa ou o caos deflagra a falência do Estado, da Moral e da Ética definitivamente.
Onde estão nossos valores? Nossos homens cultos? Nossos administradores competentes? 
Apedeutas, terroristas, assassinos, ladrões e entreguistas imorais tomaram o poder e estão roubando o nosso sagrado pão, nossa saúde, nossa educação, nossas matas, nossos povos, o futuro das novas gerações e nossas esperanças.
Celso Brasil

Em seu livro O CHEFE, Ivo Patarra, no Capítulo 13, descreve que:
"Em 5 anos, Lula repassou R$ 12,6 bilhões para
ONGs. Dinheiro para amigos, mal fiscalizado

A administração Lula repassou R$ 12,6 bilhões a 7.700 ONGs (Organizações Não-Governamentais) por meio de 20 mil convênios entre 2003 e 2007. Apesar dos valores expressivos, não havia mecanismos para selecionar adequadamente as entidades escolhidas como prestadoras de serviço. Quase não existiu controle na aplicação dos recursos federais, nem rigor na hora de acertar as contas. Suspeitou-se de desvios. Parte do dinheiro poderia ter sido embolsada por gente amiga. A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) encarregada de apurar irregularidades quase não avançou. Os governistas travaram as investigações. Não houve quebra de sigilos bancários e fiscais para identificar responsáveis pela eventual roubalheira".

Tudo isso e muito mais é contado em detalhes. Uma leitura que exige estômago para aguentar tanta podridão. Inacreditavelmente gerada por um ser apenas, contagiando amorais que se afinam com ele.

O resultado desta comprovada roubalheira esta vindo a tona somente agora.

Digam o que quiserem, mas somente uma força nos livrou deste mesmo bando por um bom tempo - As Forças Armadas.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O quadro da esquerdização forte e galopante da Ibero-América





Após 12 anos de regime chavista, a Venezuela é, ao lado de Cuba, a nação do continente mais prostrada por uma terrível crise decorrente da aplicação do socialismo. Seu veneno vai penetrando em quase todas as demais nações e produzindo nelas outras crises menores que, se não forem detidas, crescerão no rumo daquelas que as suscitaram. O que ficaria de pé na Ibero-América com uma dezena de incêndios simultâneos em tantos outros países?
Alfredo Mac Hale
O quadro da esquerdização forte e galopante da Ibero-América, descrito por nós várias vezes nos últimos anos, nas páginas de Catolicismo, recentemente acentuou-se muito, impondo profundos receios pelos seus efeitos sobre o Continente.
Numerosos e expressivos são os fatos nesse sentido: a substituição, na Colômbia, do notório anticomunista Álvaro Uribe – que enfrentou com denodo a escalada guerrilheira e a prepotência chavista – por Juan Manuel Santos, até então seu mais fiel seguidor e que, uma vez eleito, vem se mostrando muito mais dialogante e concessivo com a esquerda que seu antecessor; a vitória, sob os auspícios de Lula da Silva e sem autêntica oposição, de Dilma Roussef para a Presidência do Brasil, através da qual se procura alcançar uma hegemonia sem contrapeso do PT neste imenso País; a eleição para a Presidência do Peru de Ollanta Humala, que durante muitos anos ostentou uma posição marxistoide, atenuada um tanto entre o primeiro e o segundo turno da referida eleição, com a finalidade exclusiva de ganhá-la, iludindo a oposição e a opinião pública; a forte agitação que sacudiu o Chile nos últimos meses, debilitando e colocando em dificuldade o governo de Sebastián Piñera, que não dispõe de maioria parlamentar nem condições de recorrer sistematicamente a medidas de força para manter a ordem pública; a perspectiva de que no México, para substituir o atual presidente Felipe Calderón, seja eleito no próximo ano algum dos líderes do Partido Revolucionário Institucional (PRI), como o ex-governador da capital, Enrique Peña Nieto, com o que se reiniciaria o domínio dessa agrupação fortemente socialista e pouco apegada às normas do Direito; o risco de a Presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, vir a reeleger-se nas eleições de fins de outubro, reiniciando assim o galope rumo à esquerda.
Sem temor a exagero, poderíamos dizer que, embora quase tudo se tenha agravado, a situação continental não se tornou desesperada, porque, por motivos alheios à vontade da esquerda, seus líderes se viram forçados a se mostrarem “moderados” nas vésperas das eleições, sob pena de perdê-las. Foi o que se viu, por exemplo, de modo gritante, no Brasil e no Peru. Entretanto, como veremos, passadas as eleições – e até mesmo antes de assumir o poder – os “moderados” as vezes voltam a assumir discurso radical. Nessas condições, se não houver reações vigorosas em todo o Continente, os “moderados” se radicalizarão, e os que já são radicais terminarão dominando.
Observa-se de outro lado, como regra geral, as forças de esquerda mostrarem-se implacáveis opositoras em relação aos que não partilham de sua orientação, enquanto estes, para não ser qualificados de reacionários, procuram ser condescendentes e neutros em face do adversário. Beneficiam assim a esquerda, porquanto a opinião pública fica com a sensação de que de um lado há segurança e de outro debilidade, e em consequência a nação é arrastada rumo à esquerda, embora a maioria não esteja de acordo com essa tendência.
Excluindo de nossa análise o Brasil, pelo fato de sua situação ser bem conhecida dos leitores de Catolicismo, cuidaremos aqui da situação de algumas nações sul-americanas, deixando outras para setembro, a fim de apresentar um quadro de conjunto, se não exaustivo, pelo menos ilustrativo.
Após 12 anos de governo que poderia se qualificar de semi-ditatorial, a doença de Chávez pode colocar em xeque seus planos expansionistas

Venezuela, na vanguarda rumo ao caos
Como já vimos em outros artigos, o protótipo desta situação é a Venezuela de Hugo Chávez, que há 12 anos estabeleceu ali um regime a respeito do qual o mínimo que se pode dizer é ser semi-ditatorial. Eis um rápido elenco dos epítetos aos quais o incendiário presidente faz jus: cúmplice e promotor da tirania cubana, marxista obsessivo, opressor de todas as classes, demolidor da riqueza, do bem-estar e da sã convivência dos venezuelanos; promotor da violência política e subversiva, tanto na Venezuela como em nações vizinhas; ufano das expropriações e dos confiscos maciços; brutal e sem escrúpulos, apesar de apresentar-se às vezes bonacheirão; desrespeitador das leis, inclusive das ditadas por ele; camaleão, declarando-se ora “democrático”, ora revolucionário, sua norma suprema é o arbitrário jactancioso e intempestivo do momento.
É claro que os delírios autolaudatórios do ditador, amiúde muito próximos da paranóia, por serem de intensidade variável, são tomados pela população venezuelana de modo também variável: às vezes com profunda recusa por seus incontáveis abusos, mas com frequência também de modo jocoso e burlesco, pelas expressões ridículas e grotescas que Chávez adota. Com isso se diluem a indispensável seriedade e a consequente combatividade da oposição.

Chávez dilapidou a riqueza pretrolífera da Venezuela, usando o dinheiro para promover a sua “revolução bolivariana” por toda Ibero-América

Em outros termos, o déspota socialista sabe para que rumo vai: o do comunismo sem dissimulações. E não dá importância às razões – leis, princípios, normas de convivência civilizada, etc. – para deter-se. De modo que avança sem cessar, retrocedendo somente quando é forçado. Enquanto isso a oposição, fracionada e sem suficiente zelo pelas normas violadas, sem afirmatividade sobre o tipo de sociedade que ela deseja em contraposição ao desvario governista, não tem um consenso fogosamente contrário à demolição. Limita-se então a idéias comuns às várias forças antichavistas, o que se traduz em afirmações frouxas de princípios evidentes e não atrai o apoio do restante da opinião pública.
Caso não se tenha uma visão das proporções do incêndio propagado por Chávez, nem dos perigos dele decorrentes, não se terá uma idéia clara dos sacrifícios que é preciso fazer para apagá-lo. Sem isso não se arrastará senão uma fração dos que poderiam combatê-lo, mobilizando-os apenas parcialmente para a magna empresa.
Iniciando pelo aspecto econômico, e para dar dele uma noção cabal, vale a pena recordar que nos últimos 12 anos o regime chavista dilapidou centenas de bilhões de dólares, mais que a soma do que o país auferiu em várias décadas com o petróleo! Segundo cifras do Banco Central da Venezuela, os ingressos petrolíferos somam 700 bilhões de dólares desde que Chávez assumiu a presidência. E “isso excede os ingressos petrolíferos da Venezuela dos 25 anos anteriores” (cfr. André Oppenheimer, O milagre venezuelano, “El Nuevo Herald”, Miami, 30-6-11). Pois bem, uma vez dilapidada essa imensa riqueza, a Venezuela está em situação muito pior do que no começo do processo.

Mulher protesta em Caracas, depois que o governo de Chávez anunciou o fechamento de 34 emissoras de rádio e dois canais de TV por supostas irregularidades administrativas.

Soma-se a isso a destruição e deterioração do aparelho produtivo, devido aos confiscos, à agitação, ao coletivismo, às torpezas da burocracia socialista, à galopante delinquência que domina o país, à inflação mais alta da América, à falta de inversão – pois ninguém está disposto a arriscar mais recursos que os já comprometidos –, ao caos dominante em todos os âmbitos; só para nos referirmos ao lado material.
Para além deste, cumpre considerar as energias gastas pelo país num conflito estéril e intérmino; as frustrações que isto causa em todos os venezuelanos de bem e as audácias demolidoras a que se sentem convidadas pela impunidade as hordas chavistas, incluídas as milícias; o êxodo de talentos e de capitais ao exterior por falta de futuro no país; o desânimo das forças vivas, a multiplicidade dos conflitos, a abundância e gravidade dos perigos; a inoperância – quando não a cumplicidade com o delito – da administração da justiça e o amordaçamento dos meios de comunicação para privar a opinião pública de informação e de meios para se expressar, etc.
Tal panorama comporta aspectos que mais parecem um pesadelo surrealista que a vida de uma nação real. É o que se deu com a rebelião violentíssima das máfias de presos nos cárceres, que mantiveram a imensa maioria dos condenados como reféns durante várias semanas sem que o regime atinasse a encontrar uma solução. São os contínuos cortes de luz elétrica, em diversas regiões do país, atribuídos pelo governo a problemas climáticos quando é óbvio que a causa é sua própria incompetência técnica e administrativa. É a escalada delituosa mais alta da América do Sul, com 48 assassinatos anuais a cada 100 mil habitantes. É a dilapidação dos fundos públicos em benefício do chavismo, para que este domine a nação e se expanda pelo Continente.
Para a Revolução, uma surpresa e muita incerteza
Os protestos na Venezuela fazem parte do dia-a-dia da população

Esse era, até há pouco mais de um mês, o panorama da vida venezuelana, por efeito do regime que a oprime. De repente, após alguns vai-e-vens de desinformação, deu-se primeiro o rumor e depois a notícia da doença que afeta Hugo Chávez. Este, pelo estado de abandono em que se encontra o sistema hospitalar público venezuelano, bem como pelo temor e desprezo que vota às clínicas privadas de seu país, optou por fazer-se examinar e operar em Cuba, a Meca dos xiitas do comunismo sul-americano falsamente apresentada pelas esquerdas como possuidora de uma medicina “digna do Primeiro Mundo”.
Entretanto, após duas cirurgias – uma, segundo tudo indica, errada, feita por cubanos, e outra, na aparência mais certeira, que durou seis horas e foi realizada pelo cirurgião espanhol que cuidou da ruína ambulante Fidel Castro –, foram dados à publicidade um diagnóstico – câncer –, e um tratamento em relação ao qual o regime não especifica quase nada, omitindo que órgãos foram afetados, qual o tempo de desenvolvimento do tumor, se ele atinge ou não outros órgãos, que perspectivas existem, etc.
As hipóteses dos observadores, tanto sobre o presente quanto ao futuro, são as mais variadas. Entretanto, muitos especulam sobre o que esperar do círculo próximo de Chávez, cujos membros têm em comum uma notória falta de liderança, uma vez que o Führer afastou seus possíveis competidores; total falta de preparação para governar, claro fanatismo marxista e suposta incondicionalidade diante o líder, sem que se possa descartar, não obstante, que se venham a produzir entre eles, nos momentos cruciais, enfrentamentos dos mais brutais para resolver a sucessão.
Assim, o mais provável é que Chávez, morrendo ou se submetendo a um duro tratamento de rádio ou quimioterapia – depois de um período de tensões e de dúvidas –, seja substituído provisória ou definitivamente, seguindo o modelo cubano, por seu próprio irmão Adão; ou por algum dos membros da cúpula militar designada por Chávez, todos de sua tendência ideológica e seus incondicionais. Com isso, é provável que tudo termine em guerra civil, ou que a resistência seja esmagada pelas Forças Armadas somadas às milícias bolivarianas – e quiçá aos brutais contingentes castristas.

Hugo Chávez escuta atentamente Castro, durante sua estadia para tratamento de um câncer em Havana

O dito anteriormente é muito provável, porque os ditadores marxistas e seus sequazes vivem obcecados com conspirações contra eles, pois sabem que a opinião pública lhes é adversa. E como imaginam que as conspirações para matá-los ou destituí-los se produzem continuamente, também maquinam de maneira permanente para esmagar tais conjurações. De modo que são contínuas as manifestações ameaçadoras dos dirigentes chavistas, muitos dos quais anseiam pelo dia em que possam dar rédea solta a seus ódios.
Em todo caso, à margem do enfrentamento esquerda-direita, todo o restante das atividades de um Presidente – ou seja, o que é propriamente governo, administração e liderança do país – continuará muito provavelmente abandonado, como esteve durante o governo Chávez, ou inclusive pior. Com o efeito cada vez mais intenso de um auge de desestruturação e de uma verdadeira derrocada nacional, o que não significa que o regime fique sem forças para continuar a demolição, as agressões e as perseguições.
A este respeito, o jornal “Clarín” (10-7-11), de Buenos Aires, no artigo intitulado Literalmente, a Venezuela se descasca, fornece detalhes muito expressivos: “A Venezuela tem um déficit de dois milhões de casas. Os críticos de Chávez dizem que seu desempenho na construção de moradias – menos de meio milhão de novas unidades desde que assumiu em 1999 – é pior que o de seus antecessores. [...] A crise mais inquietante é o declínio do modelo econômico estatista, porque há um estancamento do aparelho produtivo e uma extrema dependência de produtos importados. [...] O incessante aumento dos preços reduziu substancialmente o poder aquisitivo dos venezuelanos, que desde 2007caiu 14,5%. [...] A dívida externa triplicou, de 30 bilhões de dólares em 1999 a uma que supera atualmente os 120 bilhões”.
A Venezuela vive, em síntese, na confluência de quase todas as catástrofes, com um poder supremo ao mesmo tempo totalitário e inepto; venerado e desprezado; olímpico em suas atitudes jactanciosas, mas incapaz de resolver as crises e catástrofes que ele mesmo provocou. Chávez é implacável em atribuir suas próprias culpas a quaisquer de seus súditos, de modo a poder afirmar-se como uma espécie de gênio incompreendido. Isto até que a derrocada geral o sepulte na ruína dos mitos que construiu.
Começa surgir a preocupação no País pelo aumento da insegurança e o recomeço de ataques da guerrilha a pequenas cidades. A promessa de continuidade da política de Uribe, base do apoio eleitoral a Santos, parece ter ficado nas urnas...

Colômbia: da confrontação à aliança com Chávez
Álvaro Uribe, esq., cumprimenta seu sucessor, Juan Manuel Santos

Esboçado este panorama, resta ver quanto e como esse fenômeno penetrou nos demais países, inclusive naqueles que lhe são contrários. Comecemos pela Colômbia, a nação que melhor resistiu a Chávez durante oito anos e na qual ele vai agora obtendo avanços inesperados e deploráveis.
Como vimos, o enfrentamento protagonizado entre Álvaro Uribe e Chávez cedeu rapidamente lugar às relações amistosas estabelecidas por Juan Manuel Santos com o caudilho caribenho. Estas se tornaram públicas no gesto simbólico havido entre ambos com o ex-guerrilheiro sandinista Daniel Ortega, atual presidente da Nicarágua, e Porfírio Lobo, Presidente de Honduras, quando do regresso a este país do malogrado Manuel Zelaya.
Eles procuravam dar assim por encerrada a crise em Honduras de 2010, afirmando que se tratou de um simples golpe de Estado, omitindo pura e simplesmente as ilegalidades e violações da Constituição praticadas por Zelaya, responsável pelo conflito. Assim, abre caminho para se repetir as manobras de Chávez a fim de submeter Honduras.

O simbólico gesto de Santos estendendo a mão para o presidente da Venezuela Hugo Chávez, gerou profunda desconfiança em amplos setores da opinião pública colombiana
A Corte Suprema de Justiça da Colômbia vem emitindo sentenças sumamente questionáveis, quer do ponto de visto do Direito, quer do mero bom senso, ou ainda da segurança do país

Após essa reunião, o secretário-geral da OEA, o socialista José Miguel Insulza – que também tentou impedir que Honduras escapasse do domínio chavista –, apresentou-se dizendo que incumbia à população hondurenha determinar “se é necessário castigar Roberto Micheletti”, o presidente que substituiu Zelaya.
Pois bem, os castigos a serem aplicados aos que os mereçam, ou estão previstos na Constituição e nas leis, ou não passam de vulgares injustiças e ilegalidades; e não é estimulando o povo a uma vingança que se resolve qualquer problema. Essa insólita atitude de Insulza, além de desqualificá-lo para o cargo que ocupa, denota um verdadeiro contubérnio para expandir o poderio de Chávez na América Central. É uma temeridade do secretário da OEA provocar o povo hondurenho para que, arrogando-se faculdades judiciais que não possui, desencadeie conflitos de alcance imprevisível!

O líder das FARC, Raúl Reyes, poucos dias antes de morrer no surpreendente ataque do exército colombiano

Mas voltemos à Colômbia. Seu principal problema é o progressivo desmantelamento do esquema de segurança estabelecido por Álvaro Uribe, com a diminuição dos efetivos mobilizados e dos orçamentos para enfrentar a guerrilha. Em decorrência disso aumentaram consideravelmente os índices de atentados e sequestros praticados por esta. Também vários altos chefes militares que se destacaram no passado por sua efetividade no combate à guerrilha foram transferidos para a reserva, aumentando a ousadia dos subversivos e desalentando as tropas mais valorosas a se empenharem por inteiro na defesa da Pátria.
As consequências desta política não se sentirão obviamente de imediato, mas quando isso acontecer, haverá muitos efeitos irremediáveis. Por exemplo, a sensação de segurança da população, que havia melhorado notavelmente entre 2002 e 2010, hoje já baixou, não aos ínfimos níveis de 1994-2002, mas parece rumar para eles...
A história da Colômbia dá conta de centenas de milhares de mortos em conflitos internos, ao longo de meio século. Mas atingiu auges até então inéditos com a guerrilha marxista e sua articulação com o narcotráfico. Isso, que até 2002 parecia um problema sem solução devido à frouxidão contínua de sucessivos governos, inverteu-se na gestão de Uribe. Portanto é muito grave que o mal esteja renascendo. E se compreende a preocupação de grande parte do país, a qual espera que o governo não dê crédito às falsas promessas marxistas.
A Colômbia vai sendo, por outro lado, afetada a cada dia mais pelo que já muitos chamam de “ditadura judicial”. Com efeito, interpretando de forma abusiva e a seu bel-prazer as disposições constitucionais, as altas Cortes de Justiça vêm emitindo sentenças sumamente questionáveis, quer do ponto de visto do Direito, quer do mero bom senso, ou ainda da segurança do país. Uma delas foi a aprovação, evocando a liberdade individual, de vários tipos de aborto que estavam proibidos por lei; outra foi a declaração de que os dados encontrados nos computadores do guerrilheiro Raúl Reyes não terão valor jurídico, apesar de vários organismos estratégicos de nível mundial terem atestado o evidente valor dos mesmos e sua inquestionável autenticidade.
Mas há outras sentenças ainda mais questionáveis. São as que facultam à Fiscalia poderes para lançar graves acusações contra altos oficiais do Exército, capazes de desencadear processos judiciais que podem levá-los a sentenças condenatórias por dezenas de anos de cadeia, enquanto muitos guerrilheiros que cometeram crimes hediondos participam da política ativa sem que ninguém os perturbe.
Como consequência, começam a surgir casos de militares que optam por uma posição neutra, por não aceitarem que o heroísmo na frente de batalha contra a guerrilha seja retribuído pelo establishment com investigações, castigos e ações judiciais; disposições que podem ter efeitos funestos no Exército e, portanto, no futuro do país, pois uma nova irrupção em grande escala do terrorismo na Colômbia repercutiria em todas as nações vizinhas.
O Peru é um dos maiores países pesqueiros do mundo. Humala abrirá as ricas costas peruanas para os barcos russos?
Olanta Humala,
novo presidente do Peru

Um novo Chávez andino no Peru?
Os jornais deram grande cobertura ao escândalo das tratativas do irmão de Humala na Rússia

No tocante ao Peru, já mencionamos a vitória de Ollanta Humala nas últimas eleições, obtida graças a uma manobra de aparente moderação do candidato, de seus familiares e dos partidos políticos que o apoiaram ou lhe são próximos.
Entretanto, como a frente que o apoiava era heterogênea, não tardou em haver discrepâncias entre possíveis membros do futuro governo. Mas Humala esforçou-se para se apresentar como ameno, dialogante, distendido, entrevistando-se com presidentes de diversos países, dando a impressão de que seu passado de esquerdismo radical e sua mentalidade socialista eram coisas superadas. Sem embargo, a menos de três semanas de sua posse, ainda não indicou os nomes dos principais ministros, de tal modo que pouco se pode dizer de concreto sobre a política que aplicará.
Isso não obstante, aconteceu de repente algo que para alguns terá sido desconcertante, embora para outros parecerá simplesmente um sinal: enquanto Humala, em plena “operação tranquilizadora”, se encontrava em Washington, no outro extremo do mundo – precisamente em Moscou –, uma notícia dava conta que o “representante especial do presidente eleito peruano”, seu irmão mais novo Aléxis Humala, visitava altos funcionários do Estado russo, inclusive o chanceler e o ministro de defesa, a cúpula da gigantesca empresa de gás Gazprom e empresas de pesca, com os quais ele tratou de inversões, compras, convênios e negócios no Peru. Sobre isso até o momento ninguém havia falado, nem dado algum detalhe ou explicação coerente.
As expressões de estranheza e repúdio no âmbito peruano foram obviamente numerosas e eloquentes. É compreensível, pois o país tem péssima experiência de acordos pesqueiros com a Rússia durante a ditadura militar de esquerda (1968-1980), na qual numerosos barcos russos pescavam abusiva e predatoriamente nas águas nacionais, tendo custado muitos esforços encerrar o convênio.
Se bem seja verdadeiro que naquela época a União Soviética ainda não tinha sido derrubada, também é certo que os atuais hierarcas do Kremlin nutrem imensa nostalgia por esses tempos. Pois bem, nestas condições surgem sintomas de que se tramam novos tratados que podem dar margem à repetição de tais abusos. E isto a partir da própria família do presidente eleito, e havendo versões de que era por encargo dele!
A agrupação política que apoiou Ollanta Humala apressou-se em excluir de suas fileiras o irmão deste, a quem não sabe como qualificar: se como gestor administrativo, aventureiro ou farsante. Mas quem deveria mostrar-se mais contrariado seria o próprio Ollanta, que guardou até o momento completo e inexplicável silêncio. Enquanto isso os esquerdistas mais radicais se esforçavam em elogiar a suspeita iniciativa.
Evidentemente, o perigo maior é que se estabeleça no território peruano uma “cabeça de ponte” do imperialismo russo, o qual se mostrou bastante amigo de Chávez, Lula e outros próceres da esquerda ibero-americana, e está ansioso por obter concessões das nações do Continente através de tentadoras ofertas, que se tornam por isso mesmo suspeitas.
Se a tentativa é grave, fazê-la secretamente é pior, pois não é verossímil que a chancelaria russa receba emissários estrangeiros sem credenciais, ouça ofertas que não contam com a aprovação da cúpula do governo que os envia, e se façam em retribuição propostas sem conhecer as disposições da outra parte em aceitá-las.
Ademais, caso em algum país ibero-americano se estabeleça uma “cabeça de ponte” russa, não será profundamente afetada apenas a nação hóspede, mas todo o Continente. E os eventuais conflitos entre os países maiores e poderosos terão inevitavelmente um eco e desdobramentos entre nós.
Índios protestam nas ruas centrais de Buenos Aires

Foto: Luis Guillermo Arroyave

Os oito anos de domínio kirchnerista sobre a política argentina foram na verdade um domínio sem contrapeso, exercido muitas vezes com a brutalidade decorrente da aliança dos Kirchner com as poderosas centrais sindicais
Presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner

Argentina na senda prepotente do peronismo radical
Voltemos o olhar para outra importante nação, cujo destino está sendo jogado em nossos dias: a Argentina. Haverá ali uma eleição presidencial no próximo dia 23 de outubro, precedida por primárias em 14 de agosto, quando os partidos de oposição elegerão seus candidatos para competir com a presidente Cristina Fernández de Kirchner, postulante à reeleição. Não se sabe bem por que sortilégios, as pesquisas e os prognósticos oficiais já a apresentam como vencedora, apesar das abundantes reações suscitadas contra seu autoritarismo.
Por outro lado, haverá também nos próximos dois meses e meio várias eleições regionais de relevo, de governadores e prefeitos, as quais podem incidir na contenda presidencial. Os candidatos com maior possibilidade de vencer são os opositores. A questão-chave é se os que saírem vitoriosos se articularão ou não nas primárias de agosto numa aliança para enfrentar a Presidente-candidata. Se tal não suceder, é praticamente certo que ela vencerá.
Infelizmente, como é habitual na política partidária, a urgência de uma aliança não significa em absoluto que ela se efetuará. A razão é que os candidatos com poucas possibilidades de triunfo preferem fechar os olhos ao risco de uma derrota, de modo a se tornarem mais conhecidos e tentarem mais à frente novas candidaturas com possibilidades de êxito. Isso sucederá agora, ou o patriotismo de alguns postulantes prevalecerá em certos casos sobre suas próprias ambições, com vistas a apoiar outro com uma opção maior? – Na verdade, em alguns casos, talvez sim; mas dificilmente em todos.
Sucede que, terminado o período presidencial em curso, cumprir-se-ão oito anos de domínio kirchnerista sobre a política argentina. E se a Presidente for eleita, tal domínio se estenderá a doze anos. Como foi esse domínio e quais foram seus frutos? Foi na verdade um domínio sem contrapeso, exercido muitas vezes com a brutalidade decorrente da aliança dos Kirchner com as poderosas centrais sindicais – peronistas de inspiração socialista em geral, nada escrupulosas em matéria ética. E também pelo uso constante e indissimulado dos fundos do Executivo para influir sobre todos os setores da política e das populações das províncias do interior, em especial das cidades pequenas e médias.
As armas do poder foram igualmente usadas incontáveis vezes sem vacilação, seja para jugular a imprensa opositora e enfrentar as classes mais honestas e representativas, seja para a promoção dos setores que praticam a contestação e a agitação, de modo a impulsionar o país rumo ao conflito social e à luta de classes, ou ainda para designar os candidatos do governo, desde que sua lealdade à Presidente fosse a toda prova.
Em decorrência de tais manejos, vários políticos, meios de comunicação e líderes locais importantes, que se haviam manifestado contrários ao casal Kirchner, chegado o momento-chave deram meia-volta, esqueceram as diferenças e se submeteram docilmente à sua vontade. As razões? A julgar pelo que dizem os comentaristas políticos, nada de ideologias, nem de princípios, mas pressões, ameaças, vinganças, alianças de conveniência recíproca, promessas de retribuições, etc.
A consequência é que, segundo o articulista Joaquín Morales Solá, de “La Nación” (10-7-11), de Buenos Aires, “a política opositora é tão errática como é arbitrária a governista. Os opositores nunca se recuperaram do excesso de fragmentação; o governo, por seu lado, confunde um momento político excepcional com o direito perpétuo a mandar sem concessões. [...] Nada penetra, de momento, na envoltura de amianto que cobre a presidente. Tampouco puderam contra essa proteção política nem a já longa escassez de combustíveis nem o método claramente stalinista que usou para dirimir as listas de candidatos. São pequenos fogachos que ninguém sabe quando se converterão em um fogo mais devastador”.
Mas em relação à atual Presidente existem outros pontos questionáveis e questionados, como o aumento desmesurado de seu patrimônio entre 2003 e 2010, ou seja, durante o governo de seu esposo e o dela mesma, o que fez com que a Oficina Anticorrupção (AO) lhe pedisse esclarecimentos. Segundo o jornal “Perfil” (12-7-11), “a chefe de Estado devia apresentar o detalhe de seus bens no dia 4 de julho, mas o responsável da AO, Julio Vitobello, primeiro adiou a data limite até o dia 22 do mesmo mês e depois a estendeu até 22 de agosto, oito dias depois das primárias”. Naturalmente, são muitos os comentários afirmando que, para desmentir seus detratores, ela deveria tornar público esse informe. Mas ela não parece crer que este será precisamente o efeito da difusão de tal informação.
Trata-se assim de um governo cujos desejos e ambições constituem a regra máxima de seu proceder diário; que conduz o país como se fosse sua fazenda pessoal, sem maior respeito pelas leis vigentes, pelas normas de probidade, pelos direitos alheios; que, a exemplo dos demagogos, não fala do bem comum do país senão exclusivamente do bem dos pobres; e que quer satisfazer as conveniências dos pobres às expensas dos que não estão nesta situação, nunca a custo de uma maior austeridade dos funcionários do Estado.

Mauricio Macri venceu o candidato oficial, Sergio Kovadloff, para o governo de Buenos Aires. Uma evidente derrota do kirchnerismo.

Comentando o resultado da recente eleição para o governo de Buenos Aires na qual o opositor Mauricio Macri venceu o candidato oficial, Sergio Kovadloff, escreveu “La Nación” (12-7-11): Filmus [nome do candidato apoiado pela Presidente] foi derrotado antes de tudo pela inconformidade social gerada na cidade de Buenos Aires em decorrência da gestão de seu próprio partido. O oficialismo teria querido que a confrontação na capital fosse entre progressistas e conservadores. A população decidiu que seria entre a lei e a corrupção, entre o espírito de convivência e o afã de beligerância. E votou contra o governo, potenciando a figura de Mauricio Macri em nível nacional. Se os pratos quebrados da derrota foram pagos por um homem que se deixou construir como porta-voz do maniqueísmo governista, os benefícios dessa inconformidade popular recaíram sobre um chefe de governo que soube transmitir um espírito de convivência pacífica e capitalizar em seu favor a agressão inverossímil da que o fez objeto uma presidente empertigada desde sempre a humilhar seus adversários significativos. A regeneração de suas derrotas – um procedimento usual no kirchnerismo – obriga seus porta-vozes a promover um discurso do qual bastaria dizer que é maníaco e tragicômico, se não fosse perigoso. Certamente não é este o melhor modo de avançar por um caminho democrático. Mas é o único possível quando se responde a um projeto autoritário”.
*       *       *
Com os exemplos aqui comentados, vimos como algumas nações vão despencando no abismo, enquanto outras se dirigem para ele. Umas se encontram muito próximas, outras menos. Mas a Divina Providência se vale dessa diversidade de situações para adverti-las dos perigos a que estão expostas, e do que deveriam fazer para livrar-se deles. Condição para poderem viver sob uma ordem e paz social de desigualdades harmônicas, sem esperanças vãs, frustrações ou amarguras.
Que a Santíssima Virgem de Guadalupe, Imperatriz das Américas, obtenha dos saudáveis temores que inspiram o comunismo e o mundo neopagão, um movimento das almas que conduza ao estabelecimento de seu Reino sobre a Terra.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Vamos combater a repressão ao CRIME ORGANIZADO

Lula recebe título de Doutor Honoris Causa na Universidade federal da Bahia. Foto: divulgação

MOLUSCO LANÇA NOVA CAMPANHA

Lula diz que ministros deveriam resistir quando forem alvos de denúncias de corrupção

Publicada em 20/09/2011
O Globo

SALVADOR - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recomendou que os ministros de Dilma Rousseff, que eventualmente tiverem seus nomes envolvidos com casos de corrupção, "resistam" e não renunciem com tanta facilidade. Ele deu essa declaração no início da tarde desta terça-feira na capital baiana, logo após receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
- O político tem que ter casco duro. Porque se cada político tremer a cada vez que alguém disser uma coisa errada dele, se ele não enfrentar a briga para provar que está certo, as pessoas vão saindo mesmo, declarou, passando a "analisar" a saída aparentemente precipitada de alguns integrantes do primeiro escalão de Dilma.
- Pelo que eu vi pela imprensa, o ministro Alfredo (Nascimento, dos Transportes) não foi a presidenta Dilma que tirou. Ela mandou Nascimento investigar (as denúncias na sua pasta). O ministro (Nelson) Jobim não saiu por corrupção, saiu por conta de outro problema. O ministro da Agricultura (Wagner Rossi), a presidenta Dilma defendeu publicamente ele, que depois renunciou. O ministro do Turismo teve um problema quando era deputado - declarou.
Para Lula, Dilma agiu corretamente e acha que ela vai dar prioridade a governar o Brasil.
- Mas ninguém pense que ficará impune se fizer alguma coisa errada: se ela souber, eu conheço, ela vai passar a vassoura.
O ex-presidente disse ainda que não "se assusta" com as denúncias de corrupção, pois na sua visão, "a direita no Brasil, quando não tem o que fazer, a corrupção é o único tema dela".
- Foi assim no tempo de Juscelino, quando a UDN cresceu por conta disso. De repente você vê o PFL falando de honestidade. Aí a gente não sabe se é piada. De qualquer forma, Deus deu boca para todo mundo falar e cada um fala o que quer.

sábado, 17 de setembro de 2011

A FRAUDE DAS URNAS ELETRÔNICAS

Quem realmente ganhou as últimas eleições? 
No país que está chamando a atenção de todo o mundo pela incrível e inaceitável sequência de escândalos de corrupção, nunca vista em toda a história, onde há fraudes em todos os setores, não podemos ficar parados assistindo mais esta.
Desde 2002 nenhuma estatística anunciada foi comprovada. Todos sabem da manipulação a começar pelas prévias eleitorais. No ÍNDICE DE ACEITAÇÃO dos últimos governos, está clara a manipulação, sabendo-se que o mesmo "venceu" as eleições com diferença tão pequena.
Houve uma alteração na legislação que impede qualquer auditoria nas urnas, sob alegação do software ser criptografado para dar mais segurança, porém, eliminando o principal - A TRANSPARÊNCIA. Aliás, esta palavra está proibida em Brasília há quase 9 anos.por Celso Brasil



* Quatro vídeos comprovando a vulnerabilidade das urnas no final desta página.

Somente o Brasil utiliza urnas eletrônicas?

Não é só o Brasil!
Porém, somente no Brasil é que não se podia auditar os resultados.
Pelo menos mais cinco países usam a urna eletrônica integralmente. São eles: Canadá, Estônia, Bélgica, Irlanda e Índia.
Nos Estados Unidos não há uma uniformidade nos tipos de urnas, pois cada condado (microrregião formada por 10 a 25 cidades menores em volta de uma cidade grande) pode escolher o tipo de voto que deseja. Lá, cerca de 30% dos eleitores votam eletronicamente.
Nos EUA, todo sistema de votação eletrônica deve, obrigatoriamente, vir acompanhado da impressão do voto e a contagem deve ser feita no papel, o que a torna demorada. Isso é lei federal.
Alguns países sul-americanos tiveram urnas "emprestadas" do Brasil para fazer seus pleitos.
Outro mito que existe é que a urna ainda é brasileira.
Não é verdade. O modelo de urna usada no Brasil atualmente foi desenvolvida por pesquisadores brasileiros da Universidade Federal da Paraíba e uma pesquisadora canadense da Acadia University. No entanto, a tecnologia da urna brasileira foi comprada pela empresa norte-americana Diebold, uma das grandes fornecedoras de urnas de todos os tipos para vários países.

Fonte:
Matéria do site da CNN sobre o voto eletrônico nos EUA
http://archives.cnn.com/2002/TECH/ptech/…
Reportagem sobre as máquinas de votação no estado da Geórgia
Fotos de diferentes tipos de urnas eletrônicas
Matéria da BBC sobre o voto eletrônico na Índia

AGORA, ATENÇÃO!!!

Presidente Lula aprova o voto impresso: Lei Nº 12.034/2009
Mas... como sempre, tem uma pegadinha logo abaixo.

No dia 29 de setembro de 2009, foi sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva o Projeto de Lei Nº 5498/09, que instituiu novas regras para as eleições. A Lei Nº 12.034/2009 foi publicada no Diário Oficial da União no dia 30 de setembro.
Lula Sanciona LeiApesar do forte lobby contrário à permanência do Art. 5º na Reforma Eleitoral, principalmente empreendido pelos ministros Carlos Ayres Brito, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE),  Nelson Jobim,  da Defesa e Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o voto impresso não foi vetado pelo Presidente Lula.
A aprovação do Art. 5 da Reforma Eleitoral - implementação do voto impresso em TODAS as urnas eletrônicas - alinha o Brasil com as principais democracias modernas onde a verdade eleitoral é tratada com o necessário respeito e cuidado.
Entenda melhor o Art. 5º da Lei Ordinária Nº 12.034/2009
Dentro da Lei Ordinária Nº 12.034/2009, a regulamentação da impressão do voto, em TODAS as urnas eletrônicas, foi destacada no artigo 5º. Segundo o texto aprovado:

“Fica criado, a partir das eleições de 2014, inclusive, o voto impresso conferido pelo eleitor, garantido o total sigilo do voto e observadas as seguintes regras:”
O § 1º veio regulamentar a proposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de introduzir uma tela final, com todas as opções de voto do eleitor... (continua)


O § 3º prevê que o voto será depositado na urna de forma automática, sem contato manual do eleitor, em local previamente lacrado.

“§ 3º O voto deverá ser depositado de forma automática, sem contato manual do eleitor, em local previamente lacrado.”
Como consequência da impressão do voto, o § 4º institui a auditoria pós-eleição, em audiência pública, mediante a contagem dos votos impressos em 2% das urnas de cada zona eleitoral, respeitado o limite mínimo de três por município.

Se o § 3º prevê que o voto será depositado na urna de forma automática, sem contato manual do eleitor, em local previamente lacrado eu não vou ter acesso e assim como saber se o comprovante impresso não foi alterado?
De nada adiantará a impressão se o eleitor não puder conferir o voto impresso com sua opção.

   Em 12 e 13 de junho de 2006, um segundo vídeo, de melhor qualidade, foi apresentado no jornais da TV Telefuturo Canal 4 do Paraguai.
       Como consequência direta desta demonstração pública da insegurança das urnas-e brasileiras, elas foram abandonadas na eleição para Presidência da República Paraguaia em 2008. Optou-se por retornar ao sistema de voto manual. As urnas-E brasileiras foram sucateadas.

2. Comentários sobre o Vídeo dos Teste no Paraguai
       O vídeo apresentado na TV paraguaia em junho de 2006 apresenta um teste de penetração que foi desenvolvido sobre uma urna eletrônica brasileira, modelo 96.
       Tudo indica que era uma Urna-E verdadeira, cedida em comodato pelo TSE brasileiro ao TSJE paraguaio, e não uma imitação falsa. Os detalhes e entalhes no gabinete da urna testada são iguais ao modelo original como se pode ver na foto abaixo.

Urna-E testada
Foto da Urna-E testada no Paraguai
       As únicas diferenças deste modelo e o modelo 96 usado no Brasil são as 3 teclas de função, que estão escritas em espanhol, e a ausência do selo das Armas do Brasil na parte superior do teclado.
       As telas iniciais apresentadas na inicialização da urna sob teste são as mesmas apresentadas pelo programa de votação oficial utilizado nas eleições internas do Partido Colorado em 19 de fevereiro de 2006, inclusive as telas com dizeres em português como a que aparece quando o cronometro indica 32, com os dizeres "Instalando os drives da urna".
       Então, houve pelo menos dois momentos em que foi quebrada a segurança. O primeiro se refere ao sumiço de urnas eletrônicas em 2005. O segundo se refere ao vazamento de cópia dos programas oficiais de 2006 para ser carregado na urna mostrada no vídeo.
       Mas o programa estava adulterado para provocar o desvio de votos da lista de candidatos nº 8 para a lista 2.
       Nada indica que esta adulteração dos programas tenha sido utilizada durante a citada eleição. Pelo contrário, a penetração foi feita com o programa operando no modo de "capacitacion", como se vê na tela aos 41 seg com os dizeres "Urna operando em modo capacitacion" e na fita impressa ao final com os resultados onde aparece o termo "CAPACITACION".
       Este modo de operação é a forma sob a qual se permite aos partidos desenvolverem testes de integridade do sistema. Nele ficam inertes as restrições de horário podendo a votação ser iniciada e finalizada a qualquer momento, porém seus os resultados são impressos com a palavra "CAPACITACION" no cabeçalho (no Brasil aparece a palavra "VPREPOS" de verificação pré e pós eleição).
       O TSE e o TSJE sempre anunciaram que o programa na modalidade de teste ou de capacitação era exatamente o mesmo utilizado nas eleições apenas sem a limitação do horário de forma que o vídeo demonstra ser possivel adulterar o programa oficial de apuração dos votos sem que a sua autoverificação de integridade bloqueie seu funcionamento.
       O vídeo é narrado por dois locutores com a voz distorcida eletronicamente para impedir sua identificação e tem duração aproximada de 30 minutos, marcados num cronometro sempre visível na tela para mostrar não ter havido montagem.
       Porém, para se ter uma garantia completa de não ter havido montagem do vídeo seria necessária uma perícia técnica que detectasse, ou não, emendas de vídeo. É de se esperar que o TSJE denunciasse se encontrasse emendas no vídeo, mas não se tem notícia de nenhuma perícia que indicasse o vídeo ser montagem.
       O cuidado de proteger a identidade dos locutores se deve ao fato do teste de penetração não ter sido produzido com autorização oficial. O TSJE segue a mesma orientação do TSE brasileiro que consiste em afirmar taxativamente a invulnerabilidade do sistema ao mesmo tempo que não permite que sejam efetuados testes livres de penetração que possam confirmar esta assertiva.
       A seqüência de eventos apresentada no vídeo é:
  1. São ligados o cronometro e a urna-e para iniciliazação do sistema;
  2. Logo no primeiro minuto aparecem as mensagens de verificação de integridade do ambiente e do software instalado no cartão de memória interno, chamado de FI. Estas verificações (das assinaturas "hash") não detectam a adulteração, continuando o processo de incialização;
  3. Após sete minutos é completada a iniciliazação e aparece a tela para impressão da "acta de urna vacia", que no Brasil é chamada de Zerésima. Depois da impressão ela é colocada sobre a própria urna para permanecer visível durante todo o teste;
  4. A seguir é liberada a urna para receber os votos do primeiro eleitor. Estavam em distupa seis cargos de membros da Junta de Governo, membros da Seccional e delegados convencionais. Assim, cada eleitor devia, para cada cargo em disputa, digitar o número da chapa escolhida seguido da tecla SI (CONFIRMA) duas vezes;
  5. Foram depositados os votos de oito eleitores. Os seis primeiros votos eram sempre para as chapas de número 8. O dois votos finais foram para as chapas 2 ou 24. Para cada cargo em disputa, este era o
       resultado esperado: chapa 8 > 6 votos; chapa 2 > 2 votos;
  6. Ao final da votação do oitavo eleitor foi digitada a senha de encerramento da votação e emitida a "acta de escrutinio", que no Brasil é chamada de Boletim de Urna, com os resultados da apuração naquela urna;
  7. No entando, o impresso revela, para cada cargo, o seguinte
       resultado obtido: chapa 8 > 3 votos; chapa 2 > 5 votos.
       Três votos da chapa 8, em cada cargo, foram desviados para a chapa 2 (ou chapa 24 conforme o caso).        Durante a votação, é possivel se ver na tela que os votos dos eleitores 2, 4 e 6 na chapa 8 eram susbtituídos pelo número 2 quando a segunda tecla SI era digitada. O locutor afirma que foram introduzidos "suficientes parâmetros" para permitir que a substituição do voto ficasse visível.

       Numa fraude verdadeira, dificilmente o programador invasor iria deixar visível a troca do número digitado pelo eleitor. Assim, fica claro que a adulteração do software e o próprio vídeo paraguaio foram desenvolvidos com natureza didática, para derrubar a tese da invulnerabilidade do sistema que o TSE e o TSJE insistem em afirmar, e não para fraudar uma eleição de fato.
       Pela sequência de eventos mostrado no vídeo, pode-se induzir que a adulteração no software da Urna-E consistiu em:
  • Introduzir modificações no programa AUTOEXEC.BAT ou SETUP.BAT para se desviar das verificações de integridade do ambiente e do software;
  • Incluir um programa controlador do teclado e do vídeo, tipo sniffer, para alternadamente substituir a seqüência de teclas <8, SI, SI> pela seqüência <8, SI, NO, 2, SI, SI>.
       Esta troca na seqüência de teclas digitadas funciona da seguinte forma:
  • a tecla 8 digitada pelo eleitor indica sua escolha;
  • a primeira tecla SI (que é a tecla CONFIRMA nas urnas brasileiras) faz aparecer a foto do candidato (8);
  • a segunda tecla SI confirma e encerra o voto;
  • ao trocar este segundo SI, digitado pelo eleitor, pela tecla NO (que é a tecla CANCELA nas urnas brasileiras) o voto no número 8 é cancelado;
  • a tecla 2, incluida a seguir pelo programa tipo sniffer, seleciona o candidato 2
  • a tecla SI, incluidas duas vezes, confirma o 2 e encerra a votação.
       Se entre as 3 teclas falsamente incluídas se incluir ainda pequenos atrasos de tempo, a susbstituição pode ser visualizada na tela. Caso estes atrasos não sejam incluídos, a troca é rapidamente processada e o eleitor não a percebe.        A possibilidade de se incluir um programa controlador do teclado e do vídeo nas urnas eletrônicas foi prevista e descrita no artigo Reflexões sobre Confiabilidade de Sistemas Eleitorais escrito em janeiro de 2001 por Márcio Coelho Teixeira e Amílcar Brunazo Filho, membros do Fórum do Voto-E.
       A possibilidade de adulterações de arquivos do tipo AUTOEXEC.BAT para burlar a verificação de integridade nas urnas eletrônicas brasileiras foi prevista e descrita pelo Prof. Pedro Rezende, da UNB, em seu artigo Análise de um Sistema Eleitoral Eletrônico publicado em setembro de 2004 no Observatório da Imprensa.
       Infelizmente os avisos do prof. Rezende e dos membros Fórum do Voto-E não receberam a devida atenção da imprensa nem foi levado a sério pelo TSE. Um técnico do TSE, Sr. Oswaldo Catsumi, um dos projetistas das Urnas-E brasileiras, chegou a publicar uma réplica à tese do Prof. Rezende, alegando que nada daquilo seria possível.
       O vídeo do teste paraguaio deixa inequívoco que o Sr. Catsumi ou não sabia sobre o que falava, ou sabia, mas queria esconder a fragilidade do sistema que ele próprio projetara.


3. Assista o Video
       O vídeo com o teste paraguaio pode ser visto em 4 partes:
  • Parte 1 - http://www.youtube.com/watch?v=dO5o6fObHYQ
  • Parte 2 - http://www.youtube.com/watch?v=dmVxrP3Pjiw
  • Parte 3 - http://www.youtube.com/watch?v=GR1mCXX0x30
  • Parte 4 - http://www.youtube.com/watch?v=TjaBMPptBXw

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Em homenagem ao Lula - no governo Dilma, um ministro cai a cada 51 dias

Homenagem ao Lula
No governo Dilma, um ministro cai a cada 51 dias

Terra - Laryssa Borges Direto de Brasília
Em pouco mais de oito meses, o governo da presidente Dilma Rousseff já acumula cinco baixas nos cargos de primeiro escalão da administração pública. Ao todo, com a queda de cinco ministros - quatro por suspeitas de irregularidades e um por atacar colegas de Esplanada - foi registrada em média uma demissão a cada 51 dias.
O primeiro a deixar o governo, Antonio Palocci, havia sido apontado como um dos principais auxiliares dilmistas. Responsável pelas articulações da campanha que levou a primeira mulher à presidência da República, o então ministro-chefe da Casa Civil pediu demissão no dia 7 de junho após não resistir a suspeitas de enriquecimento suspeito.

Casa Civil
De acordo com reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo em 15 de maio, semanas antes de assumir a chefia da Casa Civil Palocci comprou um apartamento em São Paulo por R$ 6,6 milhões. Um ano antes, ele havia adquirido um escritório na cidade por R$ 882 mil. Com os novos bens, o patrimônio do ministro teria se multiplicado 20 vezes em quatro anos. Ele disse que o lucro foi gerado por sua empresa de consultoria, a Projeto, dentro da legalidade e declarado à Receita Federal. No entanto, afirmou que cláusulas de sigilo o impediam de anunciar maiores detalhes sobre os contratos ou seus clientes.

Transportes
O segundo a deixar o governo foi o então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que entregou a carta de demissão no dia 6 de julho. Sua situação política como auxiliar da presidente ficou insustentável após uma reportagem da revista Veja apontar que o Partido da República, do qual ele é presidente de honra, teria integrantes vinculados ao Ministério dos Transportes que teriam montado um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por meio de empreiteiras. Os integrantes da legenda participariam de um esquema que renderia à sigla até 5% do valor dos contratos firmados pelo ministério e sob a gestão da Valec, a estatal que cuida de ferrovias, e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). As denúncias também incluem suspeitas de um suposto crescimento patrimonial irregular do filho do ministro, Gustavo Pereira.

Defesa
Terceiro a desembarcar do governo, o então ministro da Defesa, Nelson Jobim, entregou sua carta de demissão à presidente Dilma Rousseff no dia 4 de agosto. Sua situação se desgastou no Palácio do Planalto após declarações dadas à revista Piauí em que teria considerado a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, "muito fraquinha" e dito que a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, "sequer conhece Brasília". Jobim negou ter feito as críticas e disse que as informações seriam "parte de um jogo de intrigas".
Agricultura
No dia 17 de agosto, após ter participado de suas audiências públicas no Congresso Nacional, Wagner Rossi, da Agricultura, pediu demissão, negando as acusações e argumentando que os ataques contra ele tinham objetivos políticos, como a destituição da aliança de apoio à presidente e ao vice, Michel Temer.
A revista Veja publicou, no final de julho, denúncias do ex-diretor financeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Oscar Jucá Neto, de que um consórcio entre o PMDB e o PTB controlaria o Ministério da Agricultura para arrecadar dinheiro. O denunciante é irmão do senador Romero Jucá, líder do governo no Senado, e foi exonerado após denúncia da própria revista de que teria autorizado o pagamento de R$ 8 milhões a uma empresa "fantasma". Outra reportagem afirmou que um lobista, Júlio Froés, atuaria dentro da pasta preparando editais, analisaria processos de licitação e cuidaria dos interesses de empresas que concorriam a verbas.

Turismo
Nesta quarta, o ministro do Turismo, Pedro Novais, deixou o governo após suspeitas de ter utilizado recursos públicos para o pagamento de uma governanta e de um motorista para sua mulher.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Lula & Mensalão

Lula e o Mensalão do PT

"Lula, que sempre negou que tivesse conhecimento do esquema corruptor do Mensalão montado pelo PT, vai reconhecer agora que sabia porque não há como negar, diante das provas recolhidas na Ação Penal 470. Mais do que isso, há no processo provas suficientes de que ele cometeu crime de responsabilidade e deveria estar arrolado como réu no Ação Penal do Mensalão do PT, o processo criminal nº 470. Um dos crimes cometidos por ele foi o ter conhecimento do esquema corruptor do Mensalão e não haver determinado uma investigação formal sobre a sua existência, operacionalidade e indivíduos envolvidos. "

Autor: Julio César Cardoso
E os sinos dobram para anunciar que tudo continua como dantes na terra de Abrantes. Pois os 40 aliladrões do mensalão do PT ainda não foram sentenciados.
Em um país sério, os políticos envolvidos no processo do mensalão do PT já teriam, certamente, sido sentenciados com a cassação dos direitos políticos para sempre. E muitos estariam, hoje, trancafiados na cadeia.

Mas infelizmente vivemos dentro de uma ordem judiciária (política) complacente. E a prova disso é que os seguintes senhores continuam gozando de liberdade e privilégios: Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT, e observe que o atual tesoureiro, João Vaccari Neto, já anda enrolado sob suspeita de cobrança de propina no esquema do mensalão, bem como investigado por estelionato, apropriação indébita, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha no suposto esquema de desvios da Cooperativa Habitacional de São Paulo. Parece até vício de origem); os atuais parlamentares federais José Genoíno (PT-SP) e João Paulo Cunha (PT-SP); Silvinho "Land Rover" Pereira; e José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil.

Para refrescar a memória dos brasileiros, e dos petistas e neopetistas recalcitrantes, cuja vestal já foi desmascarada, eis aqui a matéria do site Vide Versus, de 15/03/2010:

Lula admite que Roberto Jefferson o alertou sobre o esquema corruptor do Mensalão

O presidente Lula vai reconhecer pela primeira vez que ouviu em março de 2005, do presidente do PTB, então deputado federal Roberto Jefferson, o alerta sobre o esquema para a compra de congressistas aliados, o Mensalão do PT. Isso acontecerá em resposta a questionário do Ministério Público Federal que consta do processo pena n 470, o processo do Mensalão do PT, que tramita no Supremo Tribunal Federal. O esquema corrupto e corruptor do Mensalão do PT foi revelado em entrevista de Roberto Jefferson para o jornal Folha de S. Paulo três meses depois.

O presidente bolivariano Lula responderá que não conhece pessoalmente o publicitário mineiro Marcos Valério, operador para o PT, sob o comando da alta direção nacional petista, à frente José Genoíno, Delúbio Soares, Marcelo Sereno e Silvinho "Land Rover" Pereira, operador do maior escândalo de corrupção do governo petista. Esse esquema foi lançado pelo PT para comprar apoios políticos de parlamentares e partidos para o governo Lula. O presidente bolivariano vai dizer que o publicitário mineiro nunca esteve na Granja do Torto, uma das residências oficiais da Presidência.

Lula afirmará que pediu investigação informal ao então ministro Aldo Rebelo e ao líder do governo na Câmara na época, deputado federal Arlindo Chinaglia. Segundo Lula, recebeu a resposta de que não havia provas. Na entrevista que deu para o jornal Folha de S. Paulo, na época, Roberto Jefferson disse que havia informado o presidente bolivariano Lula sobre a existência do Mensalão do PT em uma reunião no Palácio do Planalto na qual também estavam presentes Aldo Rebelo e Walfrido dos Mares Guia, à época ministros das Relações Institucionais e do Turismo, respectivamente; Arlindo Chinaglia, então líder do governo na Câmara, e José Múcio, na época líder do PTB.

O presidente afirmará que pediu a Aldo e Chinaglia uma investigação informal e que ambos responderam depois que a Câmara, por meio de sua Procuradoria, havia investigado a história e não obtivera provas do esquema. Na primeira entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Roberto Jefferson afirmou que Lula chorou quando ele o alertou sobre o Mensalão e que disse "não ser possível". Até hoje Lula evitou respostas sobre o alerta de Roberto Jefferson. Em entrevista à Folha em outubro de 2007, ele disse: "Não comento Roberto Jefferson". Indagado sobre o motivo da recusa, afirmou : "Não merece que eu faça um comentário" e "é um direito meu dizer que não quero comentar".

No documento do Ministério Público, enviado para Lula em novembro e que até agora não foi respondido, o presidente é questionado se soube do Mensalão do PT por outra pessoa. É uma alusão a uma conversa entre o presidente e o então governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, em maio de 2004. Nesse encontro, Perillo teria dito a Lula que deputados do PSDB receberam oferta de ajuda financeira para migrar para partidos da base governista. O presidente dirá que só soube de detalhes do esquema de compra de apoio parlamentar após as revelações de Roberto Jefferson à Folha. Ele deverá afirmar, por exemplo, que só teve ciência pela imprensa dos empréstimos tomados pelo PT por meio do publicitário Marcos Valério e suas empresas. Desde a revelação do Mensalão do PT, há rumores de que Delúbio Soares, então tesoureiro do PT, teria levado Marcos Valério à Granja do Torto para se encontrar com Lula, que nega essa versão.

Esses rumores ganharam força em janeiro de 2008, quando Delúbio Soares depôs no processo do Mensalão do PT. Apesar de o ex-tesoureiro ter dito que só responderia a questões da juíza da audiência, o advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, fez uma pergunta entendida como sugestão de que poderia ter havido o encontro entre Lula e o publicitário. O advogado perguntou a Delúbio: "Frequentou a Granja do Torto, em Brasília? Em caso afirmativo, em companhia de quem?". Delúbio ficou calado. Os dois procuradores federais que elaboraram o questionário, José Alfredo de Paula Silva e Raquel Branquinho, fizeram quatro perguntas específicas para saber se Lula teve relação direta com Marcos Valério.

Todas tiveram resposta negativa. Há perguntas do Ministério Público sobre eventual ciência do presidente de acordo financeiro entre o PT e o antigo PL, partidos que fizeram aliança em 2002 para formar a chapa presidencial com Lula e José Alencar. O presidente confirmará presença na reunião no apartamento do deputado federal Paulo Rocha (PT-PA), em 2002 para celebrar a aliança PT-PL. Lula dirá que teve ciência de entendimentos políticos, mas não financeiros. Afirmará que nunca o então presidente do PL, deputado federal Valdemar Costa Neto, o cobrou sobre eventuais recursos que o PT deveria à sua legenda.

O Ministério Público Federal fez 33 perguntas, algumas com subdivisões. As respostas deverão ser enviadas em breve à Justiça Federal de Brasília. O subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Beto Vasconcelos, elabora a redação final. Lula responderá que o publicitário Duda Mendonça, que recebeu recursos do esquema, não lhe falou sobre dívida das campanhas do PT de 2002. Responderá que conhece e é amigo desde os anos 80 de Delúbio Soares, do ex-ministro José Dirceu, do ex-dirigente petista Silvio "Land Rover" Pereira e dos deputados federais paulistas José Genoino, presidente do PT durante o Mensalão, e João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara e beneficiário do mensalão petista. O presidente confirmará que todos integraram o ex-Campo Majoritário, que domina o PT, e responsabilizará a direção do partido pelas escolhas de José Dirceu, Delúbio Soares, Silvinho "Land Rover" Pereira e João Paulo Cunha para funções em sua campanha eleitoral na sucessão presidencial de 2002.

Fonte http://www.jornaluniao.com.br/noticias.php?noticia=NjAwMA==