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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

PR ameaça PT com apoio a CPI

Ex-ministro ameaça pôr PR a favor de CPI se Dilma não o inocentar

Planalto tenta acalmar Nascimento, pois faltam 3 assinaturas para oposição garantir investigação e seu partido tem 6 senadores

03 de setembro de 2011
Christiane Samarco / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Inconformado com o despejo do Ministério dos Transportes e com o carimbo de corrupto que a "faxina ética" do Palácio do Planalto imprimiu no PR, o ex-ministro e presidente nacional do partido, senador Alfredo Nascimento (AM), ameaça o governo com a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar corrupção.
"O governo está com medo dos senadores e de mim", disse Nascimento a correligionários, ao relatar conversa que tivera com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, na terça-feira.
A tensão é grande porque faltam apenas três assinaturas para que a CPI seja criada no Senado. Como a bancada do PR tem seis senadores, a avaliação geral é que o governo não conseguirá evitar a investigação se o partido apoiar o pedido das oposições.
Articulação. A ministra Ideli Salvatti entrou em cena para aplacar a ira de Nascimento, mas o que ele quer mesmo é ser recebido e inocentado pela presidente Dilma Rousseff. Com o intuito de poupar a presidente Dilma, o secretário-geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho, chamou o senador ao Palácio do Planalto na quarta-feira.
Nascimento havia dito aos colegas que Ideli elogiara muito o PR e insistira que o partido é importante para a estabilidade da base do governo, em todas as votações, e que tentaria ver se Dilma o receberia.
A cúpula do PR no Senado quer que o governo conserte o estrago político que fez na imagem do partido e na biografia de alguns de seus dirigentes. Estão especialmente nessa linha Nascimento e o senador Blairo Maggi (PR-MT), que viu o amigo e colaborador Luiz Antônio Pagot ser demitido do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em meio a denúncias de corrupção.
Nos bastidores, todos se queixam de que o PR está "em péssimas condições políticas" para enfrentar as eleições do ano que vem porque virou "sinônimo de corrupção". É a preocupação com as urnas que estimula o presidente do partido a pressionar o governo para que conclua logo algumas investigações nos Transportes e aponte os culpados.
Nome aos bois. "Só tem dois jeitos: ou o governo conclui o trabalho policial e dá nome aos bois, ou a gente ajuda a fazer a CPI", resume um dirigente da legenda. Segundo esse parlamentar, foi nesse tom que Nascimento abordou o assunto com Ideli, insistindo que o principal era o governo "dar uma declaração inocentando o partido".
Na conversa, Nascimento foi além, dizendo que essa declaração teria de ser "acima" dela, ministra, porque o governo teria ferido "de morte" o partido.
A avaliação geral no PR é que o Planalto agiu "de forma errada" com a legenda. Tanto que não "conseguiu" usar o mesmo rigor no caso dos ministros do PP e do PMDB envolvidos em denúncias de corrupção.
Para os parlamentares do PR, a prova concreta de que o governo cometeu um erro é o que ocorreu nos Ministérios das Cidades e do Turismo. Os ministros Mário Negromonte (PP) e Pedro Novais (PMDB) foram poupados da degola, diferentemente do que ocorreu nos Transportes.

Reclamação
ALFREDO NASCIMENTO
SENADOR E PRESIDENTE DO PR (AM)
"Não é aceitável que sejamos tratados como aliados de pouca categoria, fisiológicos e oportunistas"
(AO DECLARAR "INDEPENDÊNCIA" DO PR EM RELAÇÃO AO GOVERNO, NA TRIBUNA DO SENADO, 16 DE AGOSTO)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Sarney - A múmia que ainda mostra poder


Sarney arquiva CPI e PSDB reinicia coleta de assinaturas

por Jair Stangler
03.agosto.2011 18:12:47
Andrea Jubé Vianna, da Agência Estado
BRASÍLIA – O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), mandou arquivar o requerimento de criação da comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investigaria as denúncias de corrupção no Ministério dos Transportes e no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Sarney baseou-se no parecer da Secretaria Geral da Mesa, atestando número insuficiente de assinaturas para criação da CPI.
Depois que o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), entrou em campo para articular a retirada das assinaturas, três senadores removeram o apoio à investigação: João Durval (PDT-BA), Reditario Cassol (PP-RO) e Ataídes Oliveira (PSDB-TO). Depois, pressionado pelo seu partido, o tucano Oliveira voltou atrás e repôs sua assinatura. Mesmo assim, a oposição contava apenas com 25 adesões, das 27 necessárias para viabilizar a investigação.
Diante do arquivamento do pedido, o líder do PSDB, Álvaro Dias (PR), decidiu recomeçar do zero. Voltou a recolher assinaturas dos senadores determinados a apoiar a investigação. Dias investirá contra o grupo de senadores “independentes” do PMDB. O primeiro requerimento contou com o aval de quatro peemedebistas: Roberto Requião (PR), Ricardo Ferraço (ES), Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS), que devem assinar o documento novamente.