E agora, José?
O drama de uma população refém do sistema.
Olá, amigos!
Hoje vou falar de um cidadão comum. Isso!
Um cidadão comum assim como eu, como você e como milhões de brasileiros
que não passam de cidadãos comuns, vítimas de um sistema imundo que
defende o mal, obedecendo o processo de inversão de valores implantado
ao longo de anos no País.
Trata-se de um vídeo postado na internet em 2011. Este, me fez refletir e
trouxe, ou melhor, aumentou minha revolta e indignação.
Era uma vez um cidadão comum chamado José. Cansado, como todos nós, de
protagonizar o papel de vítima, dentro de uma sociedade totalmente
desarmada e a mercê dos amigos do alheio que, por qualquer motivo pode
tirar sua vida, de sua família, de suas pessoas queridas…
José, cansado de ser roubado em sua residência, na cidade de Formosa (70
Km de Brasília), resolveu tentar proteger mais o seu humilde e suado
patrimônio. Vale lembrar que todo seu patrimônio é uma casa alugada com
aquilo que todo cidadão comum guarda – eletrodomésticos, móveis e, as
vezes, o dinheiro que não está no banco, para suprir as despesas
diárias.
José teve sua casa assaltada oito vezes nos últimos dois anos que
antecedeu ao que vou relatar agora. Declarou que os assaltantes levaram
de sua casa R$2.500, cinco aparelhos de DVD, uma televisão, uma câmera
fotográfica e roupas.
É muito difícil sustentar o leão dos impostos e ainda ficar repondo o
que os seguidores da mesma seita do leão, levam de todos nós diariamente
nas ruas ou em nossas desprotegidas residências, sem qualquer proteção
do Estado, que deveria, por lei constitucional, fazê-lo. Garantir a
segurança é dever do Estado.
Voltando ao José, que preparou um dispositivo bem caseiro, com uma
ratoeira velha, canos de metal e alguns outros utensílios. Tratava-se de
uma armadilha que, ligada à porta de entrada, disparava um cartucho,
também improvisado, com pólvora, na direção daquele que tentasse, na sua
ausência, entrar na casa.
E assim aconteceu.
Jeferson Marques Evangelista pulou o muro, arrombou a porta e recebeu um
tiro, disparado pelo eficiente sistema de segurança, montado pelo José.
O invasor faleceu no local com o tiro recebido no peito.
Agora, vamos ao revoltante desfecho da história.
José Geraldo de Souza responde ao processo de homicídio doloso, que pode
resultar em 30 anos de prisão. Tudo por ter tentado proteger seu
humilde patrimônio de um visitante não convidado, bandido, marginal, que
poderia, tranquilamente ter tirado a vida de qualquer um que tentasse
impedi-lo de entrar.
Certamente, se Jeferson, o marginal, tivesse logrado sucesso na sua ação
e, por um improvável motivo, tivesse sido apanhado em fragrante, já
estaria solto e cometendo todos os delitos permitidos pelo sistema.
Impunemente!
Vejamos os argumentos que reforçam a prisão de 30 anos da vítima. Vítima dos assaltos, evidente!
José Geraldo de Souza é réu condenado por homicídio doloso, por ter
tirado a vida de outro ser que classificam como humano. O pior é que
também é condenado por, pasmem!!! Posse ilegal de arma, num País
desarmamentista. Temos, também, outra agravante! O pobre coitadinho que
pulou o muro e arrombou a porta, estava desarmado!
E agora, José?
Você não sabia que, no Congresso Nacional, onde se fazem as leis e,
pior, ultimamente as modificam para adaptarem tudo ao que exige o crime
organizado, tudo conspira contra você?
Você não sabia que o crime organizado patrocina campanhas políticas
bilionárias em todo País e, em troca, exigem que os poderosos políticos
eleitos legislem a favor da impunidade?
José, coloque-se no seu lugar! Você não passa de um simples cidadão
comum que precisa trabalhar, sustentar sua família e sustentar os
bandidos! Desde aqueles poderosos de Brasília até os viciados em crack
que perambulam pelas ruas, maltrapilhos e… vítimas da sociedade,
tadinhos!
E agora, José! Você contrariou o sistema!
Amigos, confesso que não pesquisei sobre o desfecho desta história que
teve seu início em 2011. Não sei como foi o final. Apenas usei, aqui,
como exemplo do que acontece até hoje.
Trata-se, apenas, de um alerta para você, cidadão comum, que se rebela
contra a injustiça, contra a impunidade e, tantas vezes pensa em reagir
ao sistema.
O que aconteceu com nosso amigo José, um simples e desprezível cidadão
comum, aos olhos do sistema, aconteceu, também, com milhares, ou
milhões, de cidadãos comuns em 2012.
E tudo isso continuará! Em 2013, 2014, 2015, 2016, 2017…
Até a próxima.
